quarta-feira, 6 de julho de 2011

Passível de sentido... (!?)

O caminho obstruído não a impediu de cometer o ato do qual mais se arrependeria na vida, ou não. Ela passara de forma calorosa por todos, um calor diferenciado, um calor avermelhado pela raiva, ela estava cega, mal sentia suas pernas e suas mãos formigavam, nenhuma das boas lembranças eram bem vindas naquele momento!
Ela adentrou a casa com toda a pressa, tomou nas mãos a winchester que estava atrás do quadro colorido que eles escolheram juntos, a arma era dele, mas isso era irrelevante naquele momento. Com tanta pressa e tanto calor quanto o início, ela adentrou o quarto, ele veio ao seu encontro, ela não lhe deu nem oportunidade e disparou... Cinco tiros, cinco balas, um cadáver e uma mente confusa.
O ato fora perfeito, um assassinato com assinatura clara e evidente. Ela não estava mais com aquele calor diferenciado, ela já não tinha raiva, ela não tinha pressa. Ela não entendera sua ação, e como num rito macabro abraçava o corpo dele e se banhava no sangue, que era fruto da sua ação, aquilo doía, doía mais que todas as dores que ela já sentira, doía mais do que ela pudera suportar e numa fração de segundos ela caiu desacordada.
*Acharam o corpo dele sem vida e o dela com sinais de auto flagelação. Ele foi enterrado e ela fora levada. *

Ao retornar a si, ela se encontrara numa pequena sala, todos os seus sentidos não tinham mais sentido, e aquele calor tornara a lhe abafar, ela sorria, ninguém entendia e tudo era mesmo aquilo que parecia ser.
Algemaram-na e ela foi levada. Sua cela era pequena, era úmida, era escura, era gelada e ela estava só. Se arrependia e se entregava a dor mais dolorida, e por vezes aquele calor diferente voltava, e vice e versa.
Ninguém entendia, ninguém compreendia e até hoje só ela sabe, só ela sabe o que realmente aconteceu, o que ela deixou e o que a fez ter tais ações! O que se sabe é que hoje ainda, ela está numa sala branca, almofadada e com uma camisa de força, gargalhando e chorando alternadamente, esperando por hora a dor mais doída e por hora o calor avermelhado...
Talvez! Talvez nem mesmo ela saiba, nem mesmo ela entenda... Talvez seja assim pra sempre! Seu inferno feliz!

* O que ninguém imagina é que esta foi a única vez na vida, que ela realmente foi ela! *

Tiare Leite

Nenhum comentário: